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segunda-feira, 12 de setembro de 2011

O Segredo de John Hyde

Posted by Angelo Bazzo on 14:02 | No comments


Meu pai era um pastor presbiteriano, e minha mãe, uma cristã muito dedicada com uma linda voz consagrada ao Senhor. Quando jovem, decidi que seria um missionário, um missionário que se sobressaísse. Eu queria brilhar como missionário extraordinário. Terminei meu curso universitário e me saí muito bem. Formei-me e me senti um tanto orgulhoso do título “bacharel” que agora constava depois do meu nome.



 Estava determinado a dominar os idiomas indianos que teria de aprender; pois não queria que nada, absolutamente, servisse de empecilho para que eu me tornasse um grande missionário. Era essa minha ambição. Talvez não fosse um desejo totalmente carnal, mas em grande parte era. Eu amava o Senhor e queria servi-lo – e servi-lo de forma extraordinária –, no entanto meu ego estava na raiz da minha ambição.



 Meu pai tinha um grande amigo, um colega pastor, cujo imenso desejo de ser missionário nunca fora realizado. Ele tinha grande interesse em mim e estava encantado que o filho do seu grande amigo tinha planos de ir à Índia como missionário. Ele me amava, e eu também o amava e admirava.



 No dia em que subi a bordo do navio em Nova York, para empreender a missão da minha vida na Índia, encontrei no meu camarote uma carta endereçada a mim. Reconheci a caligrafia desse amigo do meu pai. Abri a carta, que não era muito grande, e encontrei, em síntese, a seguinte mensagem: “Não deixarei de orar por você, caro John, enquanto não estiver cheio do Espírito Santo”.



 As palavras mexeram com meu orgulho, e fiquei muito bravo. Amassei a carta e joguei-a num canto do camarote. Subi ao convés do navio com espírito muito agitado. Imagine só que absurdo: implicar que eu não estava cheio do Espírito! Aqui estava eu, embarcando como missionário, determinado a ser um excelente missionário – e ele tinha a coragem de insinuar que eu não estava equipado adequadamente para a obra!



 Andei agitado para cima e para baixo naquele convés, uma batalha ardendo no meu interior. Senti um enorme desconforto. Eu amava o homem que me escrevera aquele bilhete. Sabia da vida santa que levava, e, lá no meu íntimo, desconfiava que ele podia estar com a razão: eu não tinha mesmo condições de ser missionário.



 Depois de algum tempo, voltei para o camarote e fiquei de joelhos para procurar a carta amassada. Peguei-a do chão e alisei-a; li o conteúdo novamente, vez após vez. Ainda me senti irritado pelas palavras, porém a convicção crescia dentro de mim de que esse homem estava certo e eu, errado. Esse processo continuou durante dois ou três dias, deixando-me completamente agoniado. Tudo isso nada mais era do que a bondade do Senhor atendendo às orações do amigo do meu pai, que certamente havia batalhado em oração e tomado posse da vitória em meu favor.



 Finalmente, quase em desespero, clamei ao Senhor para me encher com o Espírito Santo. No mesmo instante, parecia que as nuvens escuras haviam desaparecido por completo. Pude ver a mim mesmo e a minha ambição egoísta. Tive uma batalha até o final da minha viagem no navio, mas, bem antes de chegar ao meu destino, decidi firmemente que, fosse qual fosse o preço, eu realmente precisava ser cheio do Espírito.



 O segundo momento culminante foi quando senti desejo de dizer ao Senhor que estava disposto até a ser reprovado nos meus exames nos idiomas na Índia e a ser um missionário trabalhando em silêncio e anonimato; que eu faria qualquer coisa e seria qualquer coisa, mas precisava receber o Espírito Santo a qualquer custo.



 Num dos primeiros dias na Índia, enquanto estava hospedado com um outro missionário experiente, saí com ele para um culto ao ar livre. O missionário pregou, e fui informado de que ele estava falando a respeito de Jesus Cristo como o Salvador que liberta do pecado.



 Depois de terminada a pregação, um homem com aparência ilustre, falando bom inglês, perguntou ao missionário se ele mesmo já tivera tal experiência de salvação do pecado. A pergunta foi direto ao meu coração, porque, se a mesma pergunta tivesse sido dirigida a mim, eu teria sido obrigado a confessar que Jesus ainda não me salvara totalmente, já que ainda havia pecado na minha vida.



 Reconheci que teria sido uma terrível desonra ao nome de Cristo se eu fosse obrigado a confessar que estava pregando Jesus, proclamando aos outros que era um Salvador perfeito, enquanto eu mesmo não estava liberto.



 Voltei ao meu quarto e me tranquei lá dentro. Disse para o Senhor que teria que acontecer uma de duas coisas: ou ele me libertava de todos os meus pecados, especialmente daquele que me atormentava constantemente, ou eu teria de voltar para minha terra e buscar uma outra atividade lá. Declarei que não podia ficar diante das pessoas para pregar o Evangelho enquanto eu mesmo não pudesse testemunhar do seu poder e eficácia na minha vida.



 Fiquei lá durante algum tempo, enfrentando essa questão e reconhecendo que era extremamente razoável que tomasse tal posição. O Senhor me assegurou que era capaz e desejoso de me libertar de todo o pecado e que realmente era sua vontade que eu estivesse na Índia. E, de fato, ele me libertou de tal forma que nunca mais duvidei da sua obra completa. Posso agora ficar diante de quem quer que seja e testemunhar, sem hesitar, da vitória que recebi. É meu prazer hoje testificar desse fato e contar a todos da maravilhosa fidelidade de Cristo meu Senhor e Salvador.


 John Hyde (1865-1912) foi missionário durante quase vinte anos na Índia. Foi chamado “O Homem que Orava”, pois a oração passou a ser sua ocupação principal. Suas orações produziram resultados impressionantes: um avivamento em 1910 na Índia e muitas conversões diárias.

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sábado, 30 de abril de 2011

John Piper – Dizer o que Você Crê é Mais Claro que Dizer “Calvinista”

Posted by Angelo Bazzo on 06:43 | No comments

Somos cristãos. Radicais, de sangue puro, impregnados de Bíblia, que promovem missões, ganham almas, amam a igreja, buscam a santidade, saboreiam a soberania, cheios da graça, de coração quebrantado, felizes seguidores do onipotente Cristo crucificado. Ao menos esse é o nosso compromisso imperfeito.

Em outras palavras, somos calvinistas. Mas esse rótulo não chega nem perto da utilidade de dizer às pessoas no que você de fato acredita! Então esqueça o rótulo, se isso ajudar, e diga a elas claramente, sem evasão ou ambiguidade, no que você acredita a respeito da salvação.

Se elas perguntarem: “Você é um calvinista?”, diga: “Você decide. Aqui está o que eu creio…”

Eu creio que sou tão espiritualmente corrupto, orgulhoso e rebelde que eu nunca conseguiria chegar à fé em Jesus sem a vitória misericordiosa de Deus sobre os últimos vestígios de minha rebelião. (1 Coríntios 2:14; Efésios 3:1-4; Romanos 8:7).

Eu creio que Deus me escolheu para ser seu filho antes da fundação do mundo com base em nada do que há em mim, sendo pela presciência ou outra coisa. (Efésios 1:4-6; Atos 13:48; Romanos 8:29-30; 11:5-7).

Eu creio que Cristo morreu como um substituto dos pecadores para prover uma genuína oferta de salvação para todos os povos, e que ele tinha um invencível desígnio em sua morte para obter sua noiva escolhida, a saber, a assembleia de todos os que creem, cujos nomes foram eternamente escritos no livro do Cordeiro que foi imolado. (João 3:16; João 10:15; Efésios 5:25; Apocalipse 13:8).

Quando eu estava morto em meus delitos e cego para a beleza de Cristo, Deus me trouxe à vida, abriu os olhos do meu coração, me concedeu o dom de crer e me uniu a Jesus, com todos os benefícios do perdão, da justificação e da vida eterna. (Efésios 2:4-5; 2 Coríntios 4:6; Filipenses 2:29; Efésios 2:8-9; Atos 16:14; Efésios 1:7; Filipenses 3:9).

Estou eternamente seguro não principalmente por causa de qualquer coisa que eu tenha feito no passado, mas decisivamente porque Deus é fiel para completar a obra que ele começou — sustentar minha fé, me livrar da apostasia e me afastar do pecado que leva à morte. (1 Coríntios 1:8-9; 1Tessalonicenses 5:23-24; Filipenses 1:6; 1Pedro 1:5; Judas 25; João 10:28-29; 1João 5:16).

Chame do que quiser, esta é minha vida. Eu creio nisso porque eu vejo isso na Bíblia. E porque eu experimentei isso. Eterno louvor à grandeza da glória e da graça de Deus!

Fonte : http://voltemosaoevangelho.com/blog/2011/02/john-piper-dizer-o-que-voce-cre-e-mais-claro-que-dizer-%E2%80%9Ccalvinista%E2%80%9D/

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quarta-feira, 17 de novembro de 2010

O mestre de Westminster

Posted by Angelo Bazzo on 05:39 | 1 comment




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Gales é um lugar único no mundo. Mesmo fazendo parte da Grã-Bretanha, os galeses se apressam em deixar claro que eles não são ingleses, e o enfatizam falando em seu próprio idioma em lugar de dizê-lo em inglês.
Gales tem uma grande e especial historia espiritual, pois experimentou grandes avivamentos, seguidos muitas vezes de profundas depressões espirituais.

A história registra alguns galeses notáveis, como Christmas Evans, Daniel Rowland, William Williams, Howell Harris, Evan Roberts… e David Martyn Lloyd-Jones, o nosso biografado. 

Os primeiros passos
David Martyn Lloyd-Jones nasceu em 20 de dezembro de 1899, quando terminava o século XIX. Deus tinha um plano para este filho de Henry e Magdalene Lloyd-Jones, para trazer de novo as chamas do avivamento que Evans, Roberts e outros tinham experimentado antes. Alguns têm dito que Charles Spurgeon foi o último puritano, mas o tempo demonstraria que deveriam ter esperado ouvir o "Doutor" antes de fazer tal afirmação. 

A vida do jovem Martyn foi bastante tranqüila até janeiro de 1910, quando tinha 11 anos. Até então o seu pai tinha sido um homem de negócios muito bem-sucedido em sua cidade natal de Llangeitho. Mas aquele ano ocorreu algo que mudaria muitas coisas. 

Na escuridão da noite rompeu um fogo que quase custou as vidas de Martyn e dos seus irmãos, que dormiam no piso superior. Ainda que a família fosse salva, a maior parte dos bens familiares se perdeu. Henry nunca se recuperou totalmente do reverso financeiro. Quase por acidente, Martyn averiguou pouco depois quão desesperada se tornou verdadeiramente a sua situação. 

Durante os seus primeiros anos de escola, ele levou esta carga em seu coração. Como resultado, tornou-se muito sério para a sua idade, e muito decidido em ter êxito em sua educação e em sua vida. "Foi como se ele se apartasse muito do que é comum à juventude, e isto lhe fez dizer uma vez: 'Eu nunca tive uma adolescência'", afirma Ian Murray. Ainda que fervoroso de coração, Lloyd-Jones sempre levaria com ele uma reputação de austeridade e severidade. 

Lloyd-Jones foi criado no metodismo calvinista galês. O termo "metodismo calvinista" pode parecer contraditório, porque os metodistas são arminianos - que enfatizam o livre-arbítrio do homem - e os calvinistas dão ênfase à soberania de Deus em relação à salvação. De alguma forma, o metodismo calvinista de Gales procurou o melhor de ambas as posturas. 

Entre 1914 e 1916, Lloyd-Jones foi para uma escola primária de Londres, e em seguida estudou medicina. Realizou a sua prática no influente Hospital de St. Bartholomew, e foi brilhantemente bem-sucedido. Foi aprovado em seus exames tão cedo que teve que esperar para graduar-se. 

Em 1921 começou a trabalhar como assistente principal de Sir Thomas Horder, um dos melhores médicos dessa época. 

Com a idade de 26 anos, Martyn obteve o seu diploma de membro do Colégio Médico e tinha uma carreira brilhante e lucrativa diante dele. No entanto, Deus tinha planos para que fosse médico de almas em lugar de corpos.

Conversão e chamada para o ministério
Pouco a pouco, através da leitura, a sua mente foi atraída pelo evangelho de Cristo. Não teve nenhuma crise dramática de conversão, mas chegou a um ponto em que se comprometeu completamente com o evangelho. 

Depois disso, quando se sentava no consultório, escutando os sintomas dos seus pacientes, compreendeu que aquilo que muitos deles necessitavam não era a medicina ordinária, mas o evangelho que ele tinha descoberto para si mesmo. Ele poderia ocupar-se dos sintomas, mas a preocupação, a tensão, as obsessões, só poderiam ser tratadas pelo poder da conversão. Ele sentia cada vez mais que a melhor forma de usar a sua vida e talentos era pregando esse evangelho. 

Martyn se envolveu rapidamente na igreja da Capela da Charing Cross. Entre outras coisas, ali conheceu a Bethan Philips. Bethan frequentava ali com seus pais e dois irmãos. O seu pai era um oftalmologista muito conhecido e Bethan estava a ponto de se formar como médico no University College Hospital. 

Depois de vários anos de noivado, Martyn e Bethan se casaram, em 1927. Depois da sua lua de mel em Torquay, instalaram-se em seu primeiro lar, uma pequena casa paroquial da igreja de Sansfield, em Aberavon, Gales, decididos a servir naquilo a que se sentiam chamados. 

O surpreendente movimento do jovem especialista e sua esposa não podiam deixar de atrair a atenção, e a imprensa veio até eles. A senhora Lloyd-Jones respondeu a um jornalista na porta de sua casa com a frase: 'Sem comentários' e no dia seguinte ficou horrorizada ao ler o titular: '"O meu marido é um homem maravilhoso", diz a senhora Lloyd-Jones'. Deste matrimônio nasceram duas filhas, Elizabeth e Ana.
Os médicos locais não estavam muito contentes com o recém-chegado. Pensavam que ele tinha vindo para mostrar a sua superioridade e lhes tomar os seus pacientes.

Contrário ao esperado, Martyn não pôde abandonar completamente a sua carreira médica. No sul de Gales, a sua brilhante habilidade de diagnóstico escasseava. Depois de uns anos durante os quais foi deliberadamente ignorado pelos médicos locais, foi chamado para um caso difícil. Ele soube exatamente a natureza da obscura enfermidade da que o paciente aparentemente se recuperaria, e em seguida morreria. O seu prognóstico se confirmou exatamente, e o médico geral disse: 'Devo me ajoelhar para pedir o seu perdão pelo que eu tenho dito sobre você'. Depois disso foi difícil controlar as chamadas médicas.
Um escritor descreveu assim o bairro de Sansfield: "Contém pelo menos uns 5.000 homens, mulheres e crianças que vivem na maior parte na sordidez e na aglomeração". Ou como alguém disse, era um lugar para "os jogadores, as prostitutas e os publicanos". 

Lloyd-Jones não era um ministro recém saído de uma universidade teológica liberal, que acomodasse a sua mensagem à opinião contemporânea e às manias da sua congregação. As palavras do seu primeiro sermão inspiradas a partir de 2ª Timóteo 1:7 ilustram quais eram as suas convicções: "As nossas ... igrejas estão lotadas com pessoas, as quais na grande maioria tomam a Ceia de Senhor sem duvidar um momento, mas... você por um instante pode imaginar que todas essas pessoas crêem que Cristo morreu por elas? Bem, então, você dirá: por que são membros da igreja; por que eles fingem crer? A resposta é que eles têm medo de serem honestos consigo mesmos... Eu me sentirei muito mais envergonhado por toda a eternidade pelas ocasiões nas que disse que eu cria em Cristo quando na realidade não era assim...".
Isso foi muito para alguns, que abandonaram a congregação. Mas em lugar disso -lentamente no princípio- foi crescendo o número dos que eram cativados pela verdade, a classe operária de Gales do Sul. A mensagem os trouxe, e o poder do Espírito Santo os converteu. Não havia súplicas dramáticas, só um ministro jovem com a mensagem clara da justiça de Deus e o seu amor, que conduziam para um tema duro atrás de outro ao arrependimento e à conversão. 

A igreja cresceu com a constante corrente de conversões. Notórios bêbados se fizeram cristãos gloriosos, e operários e mulheres vieram para as classes de Bíblia que ele e a sua esposa dirigiam.
Para aqueles que estão habituados a pregação bíblica pode ser difícil entender a comoção que causava este jovem pregador. Primeiro, ele não estava treinado teológicamente (pelo menos não das formas reconhecidas). Em lugar de pregar de uma cartilha ou alguma outra forma pré-elaborada, Lloyd-Jones era acima de tudo um pregador da Bíblia. Desde o começo, ele procurou dar uma compreensão verso por verso da Palavra de Deus. Talvez isto refletisse a sua própria vida pessoal que incluía ler a Bíblia completa cada ano. Basta ler as suas mensagens sobre Romanos ou sobre Efésios para entender quão profundo era o seu afeto pela Palavra e a sua obediência a ela própria. 

Tampouco há dúvida de que a sua leitura dos Puritanos teve também uma profunda influência sobre ele. Os Puritanos freqüentemente foram caricaturados, mas Lloyd-Jones os leu realmente. Leu todo o Diretório Cristão de Richard Baxter e os vários volumes de John Owen. Do seu ponto de vista, os Puritanos diferiam de outras correntes organizadas em vários pontos importantes.
Primeiro, acentuavam a natureza espiritual do culto por sobre as formas e rituais externos. Segundo, enfatizavam o corpo reunido de Cristo por sobre o indivíduo, fazendo assim a disciplina da igreja necessária e saudável para a causa de Cristo. Finalmente, cria na aplicação direta da Palavra para a alma de cada pessoa. O espírito do Puritanismo, cria Lloyd-Jones, podia ser delineado de William Tyndale a John Owen e a Charles Spurgeon. Era este espírito da centralidade da Palavra de Deus o que conduzia o novo pregador no país de Gales. 

À medida que as suas pregações eram conhecidas, a presença de Lloyd-Jones era mais e mais solicitada. Muitos outros pregadores começaram a encontrar nele um modelo do que devia ser o ministério do púlpito. Foi pregar no Canadá e América e freqüentemente era convidado para falar perante várias assembléias na Grã-Bretanha. 

Foi na noite fria e nebulosa de 28 de novembro de 1935 que Lloyd-Jones pregou para uma assembléia em Albert Hall, em Londres. Durante a sua mensagem, 'o Doutor' explicou os problemas bíblicos que ele via em muitas das mais usadas formas de evangelização e crescimento da igreja. Disse: "Podem muitos dos métodos de evangelismo que se introduziram faz uns quarenta ou cinqüenta anos realmente justificar-se pela Palavra de Deus? Quando leio sobre a obra dos grandes evangelistas na Bíblia, vejo que eles não estavam primeiro preocupados com os resultados; eles se ocupavam em proclamar a palavra da verdade. Eles deixaram o crescimento para Ele. Eles estavam interessados, sobretudo em que as pessoas fossem postas face a face com a própria verdade". 

Chegada a Westminster
Um dos ouvintes naquela noite era um ancião de 72 anos, G. Campbell Morgan, pastor da Capela de Westminster, possivelmente o pregador com mais renome na época. Dizem que o ancião pastor disse a Lloyd-Jones: 'Ninguém a não ser você poderia ter me tirado em semelhante noite!'. Depois de ouvir a Lloyd-Jones, Campbell Morgan quis tê-lo como seu colega e sucessor em 1938. Mas não era tão fácil, porque ele conduzia outras opções tão atrativas como aquela. No final, prevaleceu o chamado da Capela de Westminster, e a família Lloyd-Jones com as suas filhas, Elizabeth e Ana estabeleceram-se definitivamente em Londres em abril de 1939.

A associação de Morgan e Lloyd-Jones foi um digno exemplo de como os cristãos podem trabalhar juntos, mesmo que difiram em aspectos secundários. G. Campbell Morgan era um arminiano, e a sua exposição da Bíblia, ainda que famosa, não se ocupou das grandes doutrinas da Reforma. Martyn Lloyd-Jones, ao contrário, estava na mesma tradição de Spurgeon, Whitefield, os Puritanos e os Reformadores. Mas ambos os homens respeitaram cada um as posições e talentos do outro, e a sua associação, até que Campbell Morgan morreu, foi pacífica e promoveu muito a obra de Cristo em Londres. 

Quando as nuvens de tormenta da Segunda guerra mundial já ameaçavam, Lloyd-Jones assumiu o pastorado pleno da Capela de Westminster. Durante os anos de guerra, os habitantes de Londres suportaram por meses as intermináveis incursões noturnas dos bombardeiros alemães. Por causa da Capela de Westminster estar situada muito próxima ao Palácio de Buckingham e outros edifícios importantes do governo, permanecia em perigo constante de ser destruída. A congregação esteve em um estado constante de crise financeira e emocional. No entanto, os trabalhos seguiram quase com normalidade. Em 1944, uma bomba voadora explodiu na Capela dos Guardas, a uns poucos metros dali, cobrindo o pregador e a congregação de um pó branco. Um membro da congregação abriu os seus olhos depois do estampido, viu todos cobertos de branco e creu que devia estar no céu! 

Westminster também estava aproximando-se rapidamente da sua própria crise interior. Alguns da "velha guarda" não queriam muito ao jovem calvinista que tinha compartilhado o púlpito com o seu venerado Dr. Morgan. É um testemunho do poder da Palavra de Deus e do espírito humilde de Lloyd-Jones que a igreja não só sobreviveu, mas também finalmente prosperou. Depois da guerra, a congregação cresceu rapidamente. Em 1947 as galerias foram abertas e de 1948 até 1968 quando ele se retirou, havia uma média de 1.500 espectadores aos domingos pela manhã e 2.000 à noite.

No início de 1953, o estudo da Bíblia das sextas-feiras a noite começou na Capela principal. Foi ali quando Lloyd-Jones iniciou o seu monumental discurso sobre o livro de Romanos. Assim como a obra de Martin Lutero sobre Romanos e Gálatas influenciou os Puritanos posteriormente, este grande trabalho sobre Romanos influenciou a atual geração de crentes. Assim como ele começou, ele continuaria, ministrando a sua pessoa com a Palavra de Deus em lugar de sua própria personalidade. 

Em seu enfoque ao trabalho de púlpito, Lloyd-Jones trabalhava firmemente através de um livro da Bíblia, tomando um versículo ou parte de um versículo de uma vez, mostrando o que ensinava, como isso se ajustava ao ensino sobre o assunto em outra parte da Bíblia, como o ensino inteiro era pertinente aos problemas do nosso próprio dia e como a posição cristã contrastava com as idéias atualmente em voga.
Ele se punha a si mesmo em um segundo plano, e tentava mostrar para a sua congregação a Palavra de Deus, permitindo que a mensagem da Bíblia falasse por si mesma. As suas pregações explicativas tinham o propósito de permitir a Deus falar tão diretamente como era possível aos seus ouvintes com o pleno peso da autoridade divina.

Outras atividades
Apesar das dificuldades da guerra, Lloyd-Jones esteve comprometido na fundação de três instituições importantes. A primeira foi a criação de uma Biblioteca Evangélica de grandes obra cristãs, que logo superou os 20.000 volumes. Desta forma, uma nova geração de crentes se aproximou dos escritos de Bunyan, Baxter, Owens e outros.

A segunda instituição que Lloyd-Jones ajudou a criar foi a Confraternidade de Westminster. O livro Os Puritanos, é uma recopilação das mensagens anuais de Lloyd-Jones para a venturosa congregação.
E o terceiro, foi o apoio à Confraternidade Inter-universitária (IVF), e que era a organizadora da Conferência Puritana realizada a cada mês de dezembro. Havia um forte sentimento pela necessidade de retornar aos fundamentos teológicos da tradição protestante, ao período de cem anos depois da Reforma, quando as suas implicações teológicas tinham funcionado. Foram lidos e discutidos documentos e Lloyd-Jones dirigiu as reuniões com habilidade e autoridade. 

A casa editorial Banner of Truth e a revista Evangelical Magazine nasceram, com a ajuda e estímulo de Martyn Lloyd-Jones, que também apoiou poderosamente o trabalho da Biblioteca Evangélica. A nível pastoral, ele conduziu reuniões fraternais mensais de ministros desde o início dos anos 40, onde os pastores discutiam todos os problemas que enfrentavam dentro das igrejas e em seu entorno. Aqui a sua sempre vasta experiência, a sua profunda sabedoria e o seu sentido comum ajudaram a muitos ministros jovens com dificuldades aparentemente únicas e insolúveis. 

No verão de 1947 o doutor fez outra visita aos Estados Unidos e foi recebido calorosamente. A pedido de Carl F. H. Henry, ele falou na Universidade de Wheaton. Foram publicadas as cinco mensagens que ele deu. Neles Lloyd-Jones compartilhou a sua idéia sobre o tipo de pregação que o mundo realmente necessita. 

Controvérsias
Um caráter forte e uma liderança forte não podem evitar as controvérsias. Crendo, como ele fez, no poder do Espírito Santo para convencer e converter, ele se opôs profundamente à tradição com a que tinha crescido à partir de Moody, de reuniões públicas com música suave e apelações emocionais para a conversão. Também se opôs às uniões arbitrárias entre denominações apoiadas no pragmatismo em lugar da doutrina. Nada causaria mais problemas a Lloyd-Jones que a sua firme crença na necessidade de uma adesão a certas doutrinas fundamentais. 

No final da Guerra, enquanto muitos se reuniam para ouvir o doutor, outros líderes religiosos estavam começando a ignorá-lo. Quando em 1946 uma publicação reuniu os nomes dos "Gigantes do Púlpito", incluindo homens como Weatherhead, o nome de Martyn Lloyd-Jones foi ignorado. 

No princípio dos anos de 1950, muita coisa havia mudado no cenário espiritual da Inglaterra. Em 1952, Arturo W. Pink morreu em relativa obscuridade em uma ilha da Escócia. Nesse momento poucos teriam imaginado que os seus escritos seriam um dia publicados e lidos por crentes em todo mundo. 

Em torno de 1959, Lloyd-Jones observou que havia um ressurgimento do interesse nas doutrinas da graça e os ensinos dos puritanos na igreja. No entanto, aqueles nos quais se produzia este retorno não eram da sua própria geração. O interesse real estava entre os ministros e crentes mais jovens. Esta nova geração de líderes do púlpito viu as imutáveis verdades da palavra de Deus em uma forma que a sua geração anterior não fez. Alguns acusaram a Lloyd-Jones de ignorância teológica no melhor dos casos, e no pior, de arrogância espiritual. A verdade é que ele repreendia freqüentemente os seus jovens aprendizes por transformar a discussão sobre Calvinismo e Arminianismo em um ponto de controvérsia. De fato, ele expressava publicamente a sua crença de que A. W. Pink deveria ter tido um espírito mais a longo prazo e conciliatório em seu esforço para retornar as pessoas para a verdade. 

A controvérsia mais séria veio em suas relações com a Igreja da Inglaterra. Martyn Lloyd-Jones era um firme crente na unidade evangélica. Ele não cria que as barreiras sectárias deviam separar a aqueles que tinham uma verdadeira fé em comum. Mas quando o movimento ecumênico liberal fez mais e mais concessões para as correntes de opinião mundana, ele apoiou o êxodo daquelas denominações. 

Uma das grandes paixões de Martyn Lloyd-Jones era o retorno à combinação da doutrina dos Calvinistas e o entusiasmo dos Metodistas. Nos anos 60, ele estava ansioso porque a ênfase na sã doutrina recentemente recuperada não se convertesse em uma árida dureza do doutrinário. Para neutralizar este perigo, ele começou a dar ênfase à importância da experiência. Ele falou muito da necessidade do conhecimento experimental do Espírito Santo, da convicção plena pelo Espírito, e da verdade que Deus trata imediatamente e diretamente com os seus filhos - freqüentemente ilustrando estas coisas com a história da igreja. 

Ao contrário de grande parte do ensino que se levantaria durante a Renovação Carismática dos anos 60, Lloyd-Jones enfatizou várias características do verdadeiro avivamento. Primeiro, ele proclamou que Deus é soberano e não há, portanto, nenhuma fórmula para o avivamento. Deus se move de formas diferentes em tempos diferentes. Em segundo lugar, insistiu em que a igreja necessitava do avivamento, não para que mais pessoas entrassem na igreja, mas para que Deus fosse devolvido para o Seu lugar justo nas vidas e pensamentos das pessoas. 

Tal como no problema de unidade da igreja, as suas idéias sobre o que agora se conhece como 'psicologia cristã' provaram ser profundas e proféticas. Ele não estava absolutamente impressionado com o matrimônio entre a pregação bíblica e a psicologia secular. 

Há uma coleção de sermões sobre o assunto em "Depressão Espiritual: Causas e Curas", publicada pela primeira vez em 1965. A obra aponta para a suficiência de Cristo na vida do crente e conclui com estas palavras: "Eu faço o máximo que posso, mas Ele controla a provisão e o poder, Ele o infunde. Ele é o médico celestial e Ele conhece cada variação em minha condição. Ele vê a minha estrutura. Ele sente o meu pulso. Ele conhece... tudo. 'Assim é', diz Paulo, 'e, por conseguinte tudo posso através daquele que constantemente está me infundindo força'… Ele nos conhece melhor do que nós mesmos nos conhecemos, e segundo a nossa necessidade, assim será a sua provisão". 

No início dos anos 60, o doutor iniciou uma série de mensagens sobre o evangelho de João. A sua intenção neles não foi uma exposição verso a verso como era habitual, mas uma busca do significado essencial da certeza e a plenitude do Espírito Santo.

No início de 1968, em seu 68° ano, Lloyd-Jones teve uma operação importante e, ainda que se recuperasse por completo, decidiu que depois de 30 anos em Westminster tinha chegado o tempo de retirar-se como ministro. 

O seu ministério tinha sido muito abençoado por Deus. Tinha havido um ribeiro constante de conversões, muito notáveis e, sobretudo, para uma ampla variedade de pessoas de toda classe social tinha lhes ensinado a largura e a profundidade da doutrina cristã. Na Capela tinha soldados dos quartéis próximos da Wellington Barracks, trabalhadores dos hotéis e restaurantes do oeste, enfermeiras dos grandes hospitais, atores e atrizes de teatros do oeste-extremo, serventes civis menores e maiores de Whitehall, e desempregados crônicos provenientes da hospedaria do Exército da Salvação. 

A Capela sempre estava cheia de estudantes, especialmente estrangeiros, entre os quais estava o agora Presidente Moi do Quênia. A Igreja chinesa assistia de manhã e muitos Irmãos de Plymouth pela tarde. Quando os Irmãos Exclusivos se dividiram, muitos dos que viviam em Londres vieram para a Capela de Westminster. E havia, é obvio, muitos profissionais, mestres, advogados, contadores e possivelmente alguns daqueles que tinham alguma deficiência mental.

Gente de todo tipo e condição vinha para vê-lo depois na sacristia, onde ele passaria horas pacientemente escutando e sabiamente aconselhando. Um deles escreveu: 'Eu tenho uma lembrança encantadora de ir para ele em uma necessidade pessoal profunda, ainda muito assustado por causa da sua maneira pública formidável. A sua tranqüilidade e atrativa bondade, unidas a um conselho simples e reto, ganharam o meu coração. A sua inteligência e brilhantismo como pregador lhe fazem digno de respeito e admiração; esse outro lado mais manso, que conheci em privado, faz alguém lhe amar'. 

Em 1977 ele falou sobre a diferença no método de Paulo de ajudar os cristãos e aquilo que se estava popularizando com o nome de aconselhamento. A sua convicção era de que muito do que acontecia com o psicológico era realmente espiritual. Lloyd-Jones viu o púlpito como o enfoque do verdadeiro 'Cristian counselling'. Isso não significa que ele estivesse desinteressado de sua gente e dos seus problemas. Nada poderia estar mais longe daquilo. Ele ocupava muitas horas no conselho pessoal e na direção bíblica.

Atividades finais
Nos 12 anos posteriores da sua aposentadoria ele continuou com a Conferência de Westminster e dedicou muito tempo para dar conselhos a outros ministros, responder cartas e falar longamente por telefone. Livre da rígida rotina dos domingos em Westminster, ele pôde então dedicar-se aos compromissos externos que ele tinha tomado como ministro, sobretudo ocupando os finais de semana em causas pequenas e remotas que ele amava reanimar. Ele viajou novamente para a Europa e os Estados Unidos, mas recusou novos e reiterados convites para outros países. 

Lloyd-Jones tinha um lar muito feliz que estava aberto a cada Natal para os membros da igreja que não tinham outro lugar para onde ir. Em sua aposentadoria ele estava acostumado a incitar os seus netos maiores com algum argumento. Eles eram como cachorrinhos jovens indo para um leão velho, atrevendo-se onde ninguém mais se atreveria, voltando para trás por um grunhido, mas tornando a saltar em seguida. 

Em 1979, a enfermidade retornou, e teve que cancelar todos os seus compromissos. Ele ainda desejava pregar novamente. Ele tinha visto muitos homens seguir depois de que eles deveriam ter parado. Na primavera de 1980 pôde começar de novo, mas uma visita ao Hospital em maio revelou que a sua enfermidade exigia um tratamento mais austero que lhe impediria de pregar. Entre as exaustivas sessões no hospital, que ele enfrentou com valentia e dignidade, continuou trabalhando em seus manuscritos e dando conselho para ministros, mas no Natal ele estava muito fraco para isto. No final, no entanto, pôde passar tempo com o seu biógrafo (o seu ajudante anterior, Ian Murray). 

No final de fevereiro de 1981, com grande paz e confiada esperança, ele creu que a sua obra terrestre estava completada. Disse para a sua família imediata: 'Não orem por cura, não procurem me reter de ir para a glória'.

Em 1 de março, o Dia do Senhor, ele passou para a glória da qual tão freqüentemente tinha pregado, para encontrar-se com O Salvador ao qual tinha proclamado tão fielmente.

Fonte :http://www.aguasvivas.ws/revista/51/espigando.htm

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A CRUZ E AS ERAS VINDOURAS ( G. Campbell Morgan )

Posted by Angelo Bazzo on 04:39 | 1 comment


“E que, havendo por Ele feito a paz pelo sangue da Sua cruz...
reconciliasse Consigo mesmo todas as coisas” (Cl 1:20).

“Paz pelo sangue da Sua cruz”. Os professores gnósticos sugeriam a necessidade da mediação de anjos. Eles declaravam a necessidade de práticas ascéticas, incitando humilhação voluntária e até a adoração de anjos. Paulo, reconhecendo a necessidade da reconciliação, não meramente entre nós e Deus, mas entre todas as partes do universo, nos céus assim como na terra, declara que isto está providenciado no “sangue da Sua cruz”.

Em conexão com isto é necessário esclarecer que quando falamos da cruz nos referimos não somente a uma forca romana e à morte de um homem. Se Aquele na cruz fosse apenas um homem então todo este escrito do apóstolo não seria apenas tolice,mas uma miragem e um pesadelo, uma ilusão e um ardil. Por outro lado se Aquele na Cruz for a Imagem do Deus invisível, o Criador e Sustentador original, o Primogênito saído da morte para a vida, então na presença da Sua Cruz começo a tremer e ainda a crer na declaração de que através daquela Cruz Ele reconcilia todas as coisas a Ele mesmo, na terra e nos céus.

Através desta Cruz há primeiro a reconciliação das coisas na terra.
O processo é  lento quando contamos o tempo. A labuta é uma agonia, o conflito é para a morte, mas a vitória é segura. Esta vitória é a reconciliação de todas as coisas na terra, primeiro do homem com Deus, e então de toda a criação com o homem nesta paz de Deus que emana do estabelecimento do Seu trono e da relação correta de todo o reino com isso.

Através desta Cruz há também a reconciliação de coisas nos céus. Trazemos à lembrança a figura dos anjos desejando examinar essas coisas. Quando eles assim fizeram, se tornaram consciente do mistério inescrutável na hora em que Jesus morreu. Era o mistério da morte do ser puro e sem pecado, e por isso imortal. Pessoalmente, não posso ter nenhuma dúvida sobre a exatidão literal da história bíblica que na hora daquela morte o sol se escureceu. Aminha admiração às vezes é que alguma vez brilhasse novamente. Os anjos viram no mistério uma revelação.

Eles conheciam a Pessoa que viram morrem, e reconheceram que a morte de Cristo devia ter um algum significado profundo nos propósitos de Deus. Através da morte do Senhor viram o homem reconciliado com Deus. Eles viram a salvação provida para o pecador na libertação do pecado. Eles viram que a cooperação resultante dos santos, quando, conformados com a Sua morte chegaram ao conhecimento vivo Dele, compartilharam o poder da Sua ressurreição e entraram na comunhão dos Seus sofrimentos. Eles viram estes santos conduzirem por toda a criação de Deus a renovação que tinha refeito as suas próprias vidas.

Que efeito teve aquela obra vinda da paixão e o poder do amor de Deus sobre os anjos que observavam? Era para eles uma nova revelação de Deus. Naquela Cruz eles O viram como nunca O tinham visto. A luz da Deidade brilhou mais alva, pois a santidade foi vindicada como nunca fora antes. O amor da Deidade brilhou mais vermelho, pois a compaixão foi manifestada mais perfeitamente. A vida da Deidade foi percebida mais plenamente, pois todos os seus valores foram revelados mais absolutamente. Posso imaginar que, quando o Senhor Jesus Cristo morreu e todas as questões da Sua morte lhes foram reveladas, os anjos tomaram emprestada a canção do Salmista e cantaram: “A misericórdia e a verdade se encontraram; a justiça e a paz se beijaram” (Sl 85:10).

Se não há pecado, a lei e o amor nunca estão fora de harmonia um com outro, a verdade e a graça vão sempre de mãos dadas, a justiça e a misericórdia cantam um hino comum. Se a lei for quebrada o que deve o amor fazer? Se a verdade for violada como a graça pode operar?Na presença do crime como a justiça e a misericórdia podem se encontrar? Este é o problema dos problemas. Não é um problema entre Deus e o homem.

Não é um problema entre Deus e os anjos. É um problema entre Deus e
Ele mesmo. É respondido na Cruz: “Deus estava em Cristo”, desde a eternidade e seguramente também na hora da Cruz. Assim, a despeito de todo o sofrimento conseqüente no conflito dentro da Sua própria natureza, Ele encontrou o caminho da reconciliação. Pelo sofrimento operado na história humana e em todas as eras, através da Cruz, Ele demonstrou que o amor encontra a lei quando ele sofre e a cumpre. A graça satisfaz a demanda da verdade resolvendo todas as questões da sua violação, e a misericórdia pode operar na base da justiça, não porque Deus esmagou e afligiu a outro, mas porque, em um mistério que confunde e contunde o intelecto quando tenta abrangê-lo, Deus reuniu tudo em Seu próprio coração e sofreu para reconciliar todas as coisas por Ele mesmo.

Assim, como Cristo é o Centro, a Fonte, e o Alvo do universo, a
Sua Cruz é o centro, a fonte, e o alvo da reconciliação. A carta aos Efésios é o complemento de Colossenses, nela o Apóstolo ensina que pela Igreja a sabedoria de Deus deve ser manifestada aos principados e potestades nos lugares celestiais. Cristo e o Seu povo redimido devem exercer um ministério além daquele de hoje por todas as eras por virem. Este ministério deve ser o de uma revelação da coisa mais profunda no coração de Deus, o amor que, operando através do auto-abandono e sacrifício, resgatou, redimiu e refez a humanidade perdida. Os anjos ouvirão a música do amor quando os redimidos cantam, “a muito antiga história de Jesus e Seu amor”. Eles são os filhos da manhã, as inteligências não caídas que nunca conheceram as misérias do pecado ou a sua poluição, mas devem silenciar os seus elevados hinos enquanto os redimidos cantam:

 “Ele nos amou, e se deu por nós”.

Assim para todo o universo e para as últimas eras sempre procedendo na beleza do ser de Deus, a Cruz permanecerá a revelação suprema de Deus, através da qual toda a criação chegará a uma compreensão da Sua santidade e do Seu amor, as coisas mais profundas e mais verdadeiras do Seu ser.

 Que tema! A imaginação é completamente incapaz de abranger toda a sua gloriosa verdade. Sonhamos com o nascimento das incessantes eras, das novas criações, jorrando como manhãs frescas da Sua sabedoria e da Sua força. E, quando em progressão infalível elas aparecem, Cristo e Sua redimida Igreja cantarão a eles a canção da redenção. Embora conheçam a força e a majestade de Deus na maravilha de suas deles, somente chegarão a uma verdadeira apreensão do Seu coração quando lhes dissermos que Ele nos amou e nos libertou dos nossos pecados pelo Seu sangue.

'Na Cruz de Cristo me glorio, elevando sobre as destruições do tempo, toda a luz da história sagrada se reúne em torno da sua sublime
fonte'.

Através daquela Cruz todas as coisas nos céus devem ser reconciliadas e a paz infinita deve seguir, e ouso confiar nisso apesar de todo o meu pecado e toda a minha fraqueza. A propósito daquela Cruz sou reconciliado a Deus e através dela encontro descanso infinito, eterno e imortal. Finalmente o meu descanso será o descanso com toda a criação, pois a ordem cósmica será restaurada pelo mistério do sofrimento de Deus conforme revelado na Cruz.

Do livro: The Bible and the Cross (A Bíblia e a Cruz).
Fonte : www.editorarestauracao.com.br

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quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Jonathan Edwards: A Alegria é o Fim da Criação

Posted by Angelo Bazzo on 19:00 | No comments

A Alegria é o fim da criação… porque o objetivo da criação é que a criação possa glorificar [ao Criador].

Ora, o que está glorificando a Deus senão um regozijo na glória que ele próprio revelou? Um mero entendimento das perfeições de Deus não pode ser o fim da criação; pois para ele, tanto não entender, quanto ver e não ser sequer um pouco movido de alegria com a visão, significam a mesma coisa. O maior fim da criação nem mesmo pode ser declarar a glória de Deus para outros; pois declarar a glória de Deus não é bom para nada se não para elevar o gozo em nós mesmos e nos outros para os quais é declarada.

Em outras palavras, não haveria sentido para Deus criar o universo se o maior propósito da criação fosse meramente entender ou declarar suas perfeições. Antes, quando a criação se compraz no entendimento e na declaração de suas perfeições é que Deus recebe mais glória.

Jonathan Edwards
Fonte: www.voltemosaoevangelho.blogspot.com

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segunda-feira, 23 de agosto de 2010

A Centralidade Da Cruz

Posted by Angelo Bazzo on 12:11 | No comments

Se a morte de Cristo na cruz é o verdadeiro significado de sua encarnação, não existe evangelho sem a cruz. O nascimento de Cristo, por si mesmo, não é a essência do evangelho. Mesmo a ressurreição, embora seja importante no plano geral da salvação, não é o cerne do evangelho. As boas-novas não consistem apenas no fato de que Deus se tornou homem, ou de que Ele falou com o propósito de revelar-nos o caminho da vida, ou de que a morte, o grande inimigo, foi vencida. As boasnovas estão no fato de que Deus lidou com nosso pecado (do que a ressurrei ção é uma prova); que Jesus sofreu o castigo como nosso Representante, de modo que nunca mais tenhamos de sofrê-lo; e que, por isso mesmo, todos os que crêem podem antegozar o céu. Gloriar-se na Pessoa e nos ensinos de Cristo somente é possível para aqueles que entram em um novo relacionamento com Deus, por meio da fé em Jesus como seu Substituto. A ressurreição não é apenas uma vitória sobre a morte, mas também uma prova de que a expiação foi satisfat ória aos olhos do Pai (Rm 4.25) e de que a morte, o resultado do pecado, foi abolida por causa desta satisfação.
Qualquer evangelho que proclama somente a vinda de Cristo ao mundo, significando a encarnação sem a expiação, é um falso evangelho. Qualquer evangelho que proclama o amor de Deus sem ressaltar que seu amor O levou a pagar, na pessoa de seu Filho, na cruz, o preço final pelos nossos pecados, é um falso evangelho. O verdadeiro evangelho é aquele que fala sobre o "único Mediador" (1 Tm 2.5-6), que ofereceu a Si mesmo por nós.
E, assim como não pode haver um evangelho que não apresenta a expiação como o motivo para a encarna ção, assim também sem a expia ção não pode haver vida cristã. Sem a expiação, o conceito de en carnação facilmente se degenera num tipo de deificação do homem, levando-o a arrogância e auto-exaltação. E além disso, com a expiação (ou sacrifício) como a verdadeira mensagem da vida de Cristo e, por conseguinte, também da vida do cristão, quer homem ou mulher, esta deverá conduzi-lo à humildade e ao auto-sacrifício em favor das reais necessidades de outros. A vida cristã não demonstra indiferença àqueles que estão famintos e doentes ou têm qualquer outra dificuldade. A vida cristã não consiste em contentar-nos com as coisas que temos, ou com um viver da classe média, desfrutando de uma grande casa, carros novos, roupas finas e boas férias, ou com uma boa formação educacional, ou com a riqueza espiritual de boas igrejas, Bíblias, ensino correto das Escrituras, amigos ou uma comunidade cristã. Pelo contrário, a vida cristã envolve a conscientização de que outros carecem de tais coisas; portanto, precisamos sacrificar nossos próprios interesses, para nos identificarmos com eles, comunicando-lhes cada vez mais a abundância que desfrutamos... Viveremos inteiramente para Cristo somente quando estivermos dispostos a empobrecer, se necessário, para que outros sejam ajudados.

James Montgomery Boice.

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sábado, 21 de agosto de 2010

Neste tempo de eleições, um testemunho inspirador.

Posted by Angelo Bazzo on 14:10 | No comments

ABRAHAM KUYPER: “A minha glória não darei a outrem”
Pr. Franklin Ferreira, RJ

UM TEMPO DE CONVULSÃO POLÍTICA E SOCIAL
Mesmo despontando hoje como uma grande força política, por causa de seu crescimento, os evangélicos brasileiros continuam nutrindo aversão à política. Principalmente por esta estar associada a homens corruptos, cristãos de campanha, mentiras eleitoreiras, apostasia, satisfação de interesses pessoais, que deixam o eleitor desconfiado das reais motivações que levam determinado candidato a lutar tanto por tal cargo. Unido a isto, temos uma fé afastada dos negócios do mundo, e então temos os destinos da sociedade entregue a incrédulos. Precisamos de um evangelho integral, que tenha uma palavra de juízo e graça para todas as esferas da vida humana, manifestando o Reino de Deus em nosso mundo. Um homem que é um modelo como um evangélico envolvido na política é Abraham Kuyper, e, segundo D.M. Lloyd-Jones, a obra deste homem “se ergue como um grande monumento à única oposição verdadeira a toda a idéia que está por trás da Revolução Francesa.”
A Revolução Francesa, ocorrida no final do século XVIII, criou sua própria religião, chamada a princípio de “Culto à Razão” e depois “Culto ao Ser Supremo”. Seus líderes achavam que a ciência e a razão inaugurariam uma nova era, tendo então uma política fortemente anti-cristã. Tudo que era cristão foi abolido. O homem se tornou o centro, não Deus. Não somente em questões ligadas ao Estado, como também em questões de religião. Criou-se um novo calendário e novas cerimônias ocuparam o lugar das antigas datas religiosas, e cultuava-se simultaneamente Jesus, Sócrates, Rousseau e Voltaire. O lema francês desta época era “Nem Deus nem mestre”, e mais tarde, por onde os exércitos de Napoleão Bonaparte passaram, deixaram esta idéia como legado. A vizinha Holanda, anteriormente uma fortaleza da fé bíblica, também foi influenciada por estes acontecimentos. Seu recém-coroado rei, o autoritário William I, buscou controlar a Igreja Reformada Holandesa, enfraquecendo sua doutrina, por meio do favorecimento da teologia liberal (tendo como princípio a negação de tudo que aparentasse ser miraculoso, como a inspiração e inerrância bíblica, a divindade de Cristo e sua ressurreição) que começava a chegar nas faculdades de Teologia.
SUA PEREGRINAÇÃO ESPIRITUAL
Abraham Kuyper nasceu no meio desta convulsão, na Holanda, em 1837, em Maassluis, filho de um ministro da Igreja Reformada Holandesa. Fez seu curso superior na Universidade de Leiden, onde recebeu seu grau de Doutor em Teologia em 1862. Quando estudante, absorveu muitas idéias antibíblicas adotadas por seus professores liberais. Em 1871 ainda lembrava, diante dos alunos da Universidade Livre, sua petulância espiritual, causa de seus deslizes passados: “Em Leiden eu me achava entre os que aplaudiram calorosa e ruidosamente quando nosso professor manifestou sua ruptura total com a fé na ressurreição de Cristo”, acrescentando porém: “Hoje a minha alma treme por causa de desonra que outrora infligi a meu Salvador”. Ele também escreveu mais tarde: “No mundo acadêmico eu não tinha defesa contra os poderes da negação teológica. Fui roubado da fé da minha infância. Era inconverso, arrogante e aberto a dúvidas.” A despeito disto, ele foi ordenado pastor de uma congregação em Beesd, um povoado de Gelderland, onde permaneceu por quatro anos. Durante seu pastorado em Beesd, Kuyper ministrou a pessoas que permaneceram fiéis a Cristo, algumas das quais possuíam um notável conhecimento das Escrituras. Kuyper disse mais tarde: “Quando sai da universidade e fui para lá {Beesd}, meu coração estava vazio.” Mas não permaneceu vazio, pois os membros de sua congregação oraram pelo seu pastor e assistiram à sua conversão. Uma jovem camponesa, Pietje Baltus, fazia objeções à pregação de Kuyper, e a sua influência alterou a vida dele para sempre. Esta jovem testemunhou a seu pastor sobre a graça de Deus em sua vida. Estimulou-o a estudar as confissões de fé reformadas, e expôs para seu pastor a Palavra de Deus. Ele se converteu, e depois testificou que ela e outros em Beesd foram os meios que Deus usou para levá-lo a Cristo. No estudo dos escritos dos reformadores ele conseguiu fortes argumentos bíblicos para fazer frente à influência da teologia liberal de sua época.
Em 1870, Abraham Kuyper mudou-se para Amsterdã, para se tornar pastor da famosa Nieuwekerk. Aquela cidade fora um baluarte da teologia liberal, mas multidões, que apreciavam o calor e paixão de sua ortodoxia vinham ouvir as pregações de Kuyper. Ele falou de seu sonho para a igreja holandesa: “A igreja que eu quero é reformada e democrática, livre e independente, e também totalmente organizada no ensino doutrinário, no culto formal e no ministério pastoral.” Ele exortava os cristãos a adotarem o princípio da “purificação e desenvolvimento contínuos. A Igreja Reformada está sempre reformando-se diante de Deus.” Por esta época, ele já era um dos líderes da ala ortodoxa da Igreja Reformada Holandesa. Ele trabalhou para ter uma igreja livre do controle do Estado, que poderia reformar-se e assim recuperar seu estado anterior. Para Kuyper, os cristãos de todas as épocas precisam ser constantemente vigilantes para preservarem a pureza da igreja de Cristo, pois “Satanás se opõe a Deus e, no desespero de sua impotência, imita tudo o que Deus faz, para ver se consegue destruir o Reino de Deus com os próprios instrumentos de Deus.”
Tendo um grande interesse na pureza da igreja visível, Kuyper seguia os reformadores, vendo a pregação da Palavra e a correta administração das ordenanças como as marcas da igreja verdadeira. Embora nenhum grupo cristão mantenha perfeitamente estas marcas, as falsas igrejas descartam a Palavra de Deus, pervertem o uso das ordenanças e opõem-se aos que amam a verdade, e em seu entender, a separação de tal igreja é necessária quando ela impede que seus membros obedeçam a Deus. Ele afirmou: “Satanás cria uma igreja para o Anticristo subvertendo as igrejas cristãs existentes”. James E. McGoldrick, professor de História no Coderville College, EUA, resume o pensamento de Kuyper sobre este assunto da seguinte forma: “Você não deve retirar o seu amor da sua igreja só porque ela está doente ou incapacitada, o fato de estar enferma clama por sua maior compaixão. Somente quando estiver morta e deixar de ser a sua igreja, e quando os gases venenosos da falsa igreja ameaçarem matá-lo, fuja do seu toque e retire dela o seu amor.” Como Kuyper mesmo disse: “Ninguém deve deixar a sua igreja a menos que tenha certeza de que ela se tornou a sinagoga de Satanás.” A degeneração da Igreja Reformada começou com indiferença doutrinária, descambando para a heresia e mau testemunho de seus membros. Como não ocorreram as mudanças que Kuyper e seus amigos queriam - antes, seus adversários se tornaram mais intransigentes - cerca de duzentas congregações (170.000 crentes!) formaram “A Igreja dos Tristes” (por causa da tristeza de terem de retirar-se de suas igrejas) em 1886. Ele escreveu muitos livros e artigos sobre teologia, filosofia, política, arte e questões sociais, nos quais procurava expressar um conceito cristão do mundo e da vida.
SEU ENVOLVIMENTO NA EDUCAÇÃO
Em seus esforços para reformar a igreja, Kuyper entendeu que a educação teológica era da maior importância, e a Universidade Livre de Amsterdã foi a resposta ao liberalismo que havia infectado as faculdades da Igreja Reformada. Quando a Universidade Livre iniciou suas atividades em 1880, Abraham Kuyper declarou em seu discurso inaugural: “Não existe sequer um centímetro de nossa natureza humana do qual Cristo, que é soberano de tudo, não proclame ‘Meu!’” Ele afirmou ainda que o cristão “não pensa por um só momento em se limitar à teologia e à contemplação, deixando as outras ciências como personagens inferiores, nas mãos dos não-crentes”, pelo contrário, “considerando isso como seu tema para conhecer Deus em todos os seus trabalhos, está consciente de ter sido chamado para penetrar com toda a energia do seu intelecto nas questões terrestres, tanto quanto nas questões celestiais”. Seu sermão estava baseado em Isaías 48.11: “A minha glória não darei a outrem”, indicando que quando nos omitimos na esfera educacional, deixando que Satanás proclame as suas filosofias abertamente e sem contestação, enquanto passivamente assistimos seus avanços em todas as esferas, estamos fazendo justamente o que Deus expressa não permitir: deixamos que sua glória seja dada a outrem! Esta Universidade foi fundada como o meio principal de promover uma reforma da igreja e da sociedade, alcançando “a restauração da verdade e da santidade no lugar do erro e do pecado.” Por acreditar que toda verdade vem de Deus, e que cada centímetro da criação pertence a Cristo, ele não apenas estabeleceu uma escola de teologia, mas uma universidade na qual todo o currículo, todas as artes e ciências eram parte de uma cosmovisão bíblica. Kuyper ensinou ali teologia, homilética, hebraico e literatura.
SUA VISÃO POLÍTICA
Sua crescente preocupação acerca das questões sociais e políticas da Holanda lançou-o na vida política. Em 1874 foi eleito ao parlamento como representante do recém-formado Partido Anti-Revolucionário, que foi o primeiro partido político moderno da Holanda. Para se candidatar, afastou-se do ministério. Em 1900, o partido Anti-Revolucionário chegou ao poder, e Kuyper se tornou primeiro-ministro. Seus alvos políticos abrangiam a extensão do voto, o reconhecimento do Estado sobre o direito dos cristãos de conduzirem suas próprias escolas e uma legislação social que ajudasse a proteger o povo trabalhador. Em 1905, após uma amarga campanha eleitoral, perdeu seu mandato, mas continuou a exercer sua influência política como redator de um jornal político. O objetivo deste diário era “elucidar todos os fatos concernentes ao problema social..., abrir os olhos do povo para um governo que, de um lado, provoca uma revolução que em seguida sufocará com sangue e, de outro lado, causa condições sociais tão anormais que boa parte da população mal consegue sobreviver.” Ele escreveu neste jornal até pouco antes de sua morte, em 1920. Kuyper disse: “O medo da política... não é cristão e não é ético”. Apesar de ter perdido as duas primeiras eleições que participou, não desistiu. “Conosco, o que importa não é a influência que temos agora, mas a que teremos daqui a cinqüenta anos... Quantos da próxima geração serão seguidores dos nossos princípios?” Sua teoria social e política da soberania de Deus sobre todas as esferas da vida humana é uma tentativa de limitar o poder de um Estado totalitário. Em seu pensamento, cada esfera da vida humana (Família, Igreja, Estado) tem sua própria área de responsabilidade, que é derivada diretamente de Deus, e as pessoas dentro de cada esfera, são responsáveis apenas perante Deus. Este princípio foi um baluarte contra toda forma de totalitarismo. Ele entendia, então, que a função do Estado era preservar na sociedade a justiça de Deus, como revelada em sua Palavra.
SUA VISÃO SOCIAL
Neste tempo, quando pensamos em ação social, podemos aprender do pensamento de Kuyper nesta área. Em 1871, deixou clara a compreensão de sua tarefa: “Lutar contra um mal social isolado ou resgatar os indivíduos, embora excelente, é muito diferente de agarrar o problema sócio-econômico em si com o sagrado entusiasmo da fé”, reconhecendo que os interesses comerciais, e não apenas os governamentais, podem oprimir os pobres. Falando no Parlamento, em 1874, defendeu a elaboração de um código de Leis que protegessem o trabalhador, numa época em que tais códigos não existiam. Em seguida, tirou do bolso um Novo Testamento e leu o texto de Tiago 5.1-11. Em meio à reação escandalizada, disse: “Se eu mesmo tivesse falado essas palavras, que lhes parecem radicais e revolucionárias, vocês poderiam se opor. Mas foram escritas por um apóstolo do Senhor. Como pode, pois, alguém confessar a Cristo e não defender o trabalhador quando reclama?” Em outra ocasião, afirmou: “Quando ricos e pobres se opõem uns aos outros, [Jesus] nunca fica do lado dos ricos, mas sempre do lado dos pobres... Ele se colocava invariavelmente contra os poderosos e aqueles que viviam luxuosamente, e a favor dos que sofriam e eram oprimidos.” André Bielér, professor de Ciências Econômicas da Universidade de Genebra, Suíça, diz: “É certo que o Evangelho não deixa de encorajar à paciência aqueles que sofrem injustiças ou que são oprimidos... Mas ter-se-á uma idéia muito falsa da doutrina evangélica se pensar que a paciência e a caridade cristãs sejam sinônimos de passividade diante da desordem social, de complacência para com a injustiça ou de indiferença diante da tirania. Muito pelo contrário. A luta contra toda forma de opressão, seja política, econômica ou social, é uma das exigências da Reforma, e decorre diretamente de sua teologia e de sua concepção do homem.”
O CRISTÃO NUMA ÉPOCA REVOLUCIONÁRIA
Devemos ter mais cristãos se candidatando à política. Agora, qual o perfil do candidato cristão? Precisamos cada vez menos de pessoas despreparadas, amadoras, ingênuas ou desonestas, que são eleitas por um voto corporativista, para representar os interesses de uma igreja particular, para fazer favores, conseguir emprego, telha, terreno ou tijolo para a congregação. Temos que ter, isto sim, mais pessoas preparadas, que tenham uma formação bíblica sólida e abrangente, que possam ir aos centros de decisão (sejam eles simples associações comunitárias, sindicatos, partidos políticos, assembléias legislativas ou palácios do governo) representando o Senhor da glória, para expansão de Seu reino, e para o bem comum da sociedade, sendo “sal da terra” e “luz do mundo”. Como Abraham Kuyper, precisamos de cristãos que tenham o desejo de termos uma igreja forte, ortodoxa e disciplinada e uma sociedade justa. Que tenham o lema de Kuyper: “Estimar a Deus como tudo, e todos os outros como nada.”

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