terça-feira, 26 de março de 2013

A Igreja é lugar para fracos

Posted by Angelo Bazzo on 06:02 | No comments

“A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo. Pelo que sinto prazer nas fraquezas… Porque quando estou fraco, então, sou forte” (2 Co 12.9,10).
Às vezes, temos a impressão de que a conversão e o batismo no Espírito Santo nos tornam fortes. Pensamos que nossas fraquezas e vulnerabilidades humanas são eliminadas pelo poder do Espírito. Mas isso não é verdade.

O ambiente mais propício para o Espírito Santo operar é aquele em que o homem admite sua fraqueza e inutilidade. É possível ser tremendamente usado por Deus e, no mesmo instante ou logo após, sentir-se extremamente frágil e sem forças. Não há nenhuma contradição nessa situação, porque o “meu poder se aperfeiçoa na fraqueza”.

Olhemos por um instante para a condição dos apóstolos antes de serem batizados no Espírito, durante os anos em que andaram com Jesus e foram enviados por ele, de dois em dois, para curar os enfermos, expulsar os demônios e ressuscitar os mortos (Mt 10.1,8). Apesar de serem usados por Deus com tanto poder e autoridade, descobrimos depois que ainda não eram nem convertidos! No fim, Jesus disse a Pedro: “Simão, Simão, eis que Satanás vos pediu para vos cirandar como trigo; mas eu roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça; e tu, quando te converteres, fortalece teus irmãos” (Lc 22.31,32).

O senso comum nos faz pensar que há uma progressão de maturidade na vida cristã e, somente quando atingirmos alguns dos níveis mais avançados, poderemos ter o tipo de poder que os discípulos tinham antes de se converterem. Mas Deus gosta de contrariar nosso senso de lógica humana.

Depois que os apóstolos foram batizados no Espírito, vemos uma mudança notável em todo o seu comportamento e maneira de ser. Ao invés de serem os caipiras medrosos, covardes, incrédulos, ambiciosos e tapados que vemos durante todo o período do ministério de Jesus, agora são corajosos, cheios de fé e compreensão dos mistérios de Deus, e enfrentam os líderes máximos da nação sem o menor sinal de hesitação ou temor.

Com certeza, o derramamento do Espírito muda a natureza humana e torna possível manifestar a vida divina como Jesus a manifestava quando estava aqui. Dito isso, porém, somos obrigados, através da leitura de Atos e das epístolas de Paulo, a admitir que a fraqueza humana não foi eliminada pelo batismo no Espírito. O mesmo homem, cuja sombra curava os doentes e cuja palavra fulminou Ananias e Safira, se mostra pusilânime ao extremo diante de preconceitos sociais. Apesar de não ter nenhum problema de consciência em comer com os irmãos gentios, Pedro se afastou deles quando chegaram alguns irmãos importantes de Jerusalém, e Paulo, um ministério muito mais novo que ele, teve que repreendê-lo por sua incoerência (Gl 2.11-14).
A igreja primitiva, em toda a sua glória e beleza, ainda manifestava as limitações e fraquezas humanas. Havia murmuração das viúvas helenistas porque estavam sendo esquecidas nas distribuições diárias, certamente por causa de algum preconceito étnico. Havia muitas coisas que os apóstolos não entendiam claramente e tinham que seguir em frente, tropeçando e cambaleando, seguindo a direção do Espírito. Isso não deve nos desanimar. Pelo contrário, deve nos encorajar a ir além, sabendo que Deus gosta de conceder o seu poder a vasos fracos e incompetentes.

Por outro lado, isso deve nos trazer um alerta bem forte: aquele que pensa que está em pé, tome cuidado para que não caia. Quem se sente forte não precisa orar, não precisa se cercar de irmãos e amigos para acompanhar seus passos e se intrometer em sua vida. São somente os fracos que precisam tomar esses cuidados.

A igreja gloriosa não será uma igreja sem fraqueza humana, sem vulnerabilidades expostas, sem limitações ou dúvidas. De forma alguma. Será, isso sim, composta por um povo no qual todos se sentem fracos e necessitados, verdadeiramente pobres de espírito, e que, justamente por causa disso, vivem em oração e em interdependência. Será uma comunidade em que todos se sentem responsáveis uns pelos outros e todos dão o direito aos outros de os repreenderem na medida em que isso se fizer necessário.

Deus vai envergonhar Satanás cabalmente através de um povo que não só é fraco, mas sabe que é fraco. O seu poder e a sua glória serão aperfeiçoados no meio da nossa fraqueza. A força que nos levará à vitória não será pelo fato de termos um tanque enorme de combustível, e sim por que, apesar de termos um tanque minúsculo, temos acesso constante a um imenso reservatório celestial. Se quisermos fazer parte daquilo que Deus pretende fazer nesses últimos dias, precisamos aprender logo essa lição.

A igreja não é lugar para fortes! Somente os fracos podem sobreviver nela. “Ele dá força ao cansado, e multiplica as forças ao que não tem nenhum vigor. Os jovens se cansarão e se fatigarão, e os moços certamente cairão. Mas os que esperam no Senhor renovarão as suas forças, subirão com asas como águias; correrão e não se cansarão; caminharão e não se fatigarão”(Is 40.29-31).
Harold Walker
Fonte - http://www.revistaimpacto.com.br/a-igreja-e-lugar-para-fracos

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quarta-feira, 20 de março de 2013

D.A Carson - Deus não precisa de você

Posted by Angelo Bazzo on 12:18 | No comments


Nem é servido por mãos humanas, como se de alguma coisa precisasse.” (Atos 17.24-25)



Isso não é extraordinário? Deus não precisa de você. Ele certamente não precisa de mim. Ele não precisa de nossos grupos de louvor! Não é como se Deus chegasse à quinta-feira à tarde e comece a dizer: “Nossa, mal posso esperar até o domingo para eles arrasarem com as guitarras novamente! Estou me sentindo muito sozinho. Preciso de uma agitação aqui em cima.” Ele não precisa de nossa adoração. Ele não precisa de nosso dinheiro! Ele não precisa de nós! Não precisa de nada!
Na eternidade passada, antes que houvesse qualquer coisa, Deus era. E ele era inteiramente cheio de alegria e contentamento. E mesmo lá, ele já era um Deus de amor, pois, nas complexidades da unicidade de Deus, em categorias que veremos nesta série, o Pai amava o Filho! Chegarei a estas categorias. Havia uma alteridade dentro do próprio Deus! Ele não nos criou porque estava solitário e pensou: “Sabe, meu trabalho como Deus, seria um pouco mais palatável se eu fizesse um ou dois pra carregar minha imagem, que me bajulem de vez em quando.” Ele não precisa de nós.
Mas não me entenda mal. Isso não significa que ele não reage a nós. Que ele não se deleite em nós, que não se desagrade de nós. Não significa nada disso. Ele reage sim a nós. Mas ele reage não por causa de alguma necessidade intrínseca em seu próprio ser ou caráter. Mas ele responde a partir sua inteira volição de suas perfeições e vontade Não porque ele não prevê o futuro. Não porque ele deixou as coisas saírem do controle. Não porque abandonou sua soberania. Não porque ele não é soberano. Não porque ele tem um problema psicológico. Não porque ele precisa de alguma coisa. Mas por causa das perfeições de tudo o que ele é, características e atributos; ele responde sempre de acordo com seus atributos. O tempo todo. Ele nunca é menos que Deus.
Você consegue imaginar o quão difícil foi para Paulo conseguir apontar a cruz para um punhado de acadêmicos sofisticados cuja inteira noção de religião se baseava em “uma mão lava a outra”? E então, para ficar ainda mais complicado, Paulo adiciona outra linha: “O Deus que fez o mundo e tudo o que nele existe, sendo ele Senhor do céu e da terra, não habita em santuários feitos por mãos humanas. Nem é servido por mãos humanas, como se de alguma coisa precisasse; pois ele mesmo é quem a todos dá vida, respiração e tudo mais.” Nós precisamos dele.
Isso também vem de Gênesis 1, 2 e 3. Vida, fôlego e tudo mais. Quando o Senhor Jesus estava vivo no início do primeiro século, ele ensinou que nenhum pardal cai do céu sem a autorização de Deus. Até mesmo os cabelos de sua cabeça são contados. Isso significa, em meu caso, que Deus está fazendo uma contagem muito rápida. E ele conhece todos. Até os que desaparecem. E toda vez que respiro, é com sua autorização. Paulo nos lembra. Precisamos dele para a vida, a respiração e tudo mais. Para comida. Para saúde. Eu sou uma criatura completamente dependente. Não sou o Criador.
Agora, como você terá um relacionamento com um Deus assim? Ele não é apenas um vovô molenga, e não é distante. Ele é tão soberano quanto os deístas querem, mas é muito mais pessoal. E ele não tem nenhuma necessidade. Você não tem nada para barganhar. De fato, a única razão pela qual você ainda está vivo é por causa de sua permissão. Semana passada, um de meus amigos que leciona em um seminário em Dallas, um bom homem, professor de Novo Testamento. Já escreveu livros importantes. Tem três filhos. Um é missionário na Sibéria, um é missionário na Rússia, e o outro é missionário no Afeganistão. Tinha saído para se exercitar. Chegou em casa, deitou-se e morreu. Não havia nada que ele pudesse fazer a respeito. Se seu coração continua batendo, é porque Deus permite. Se ele alguma vez disser: “Tolo, esta noite te pedirão sua alma,” você morre. Ou se ele disser: “Venha para casa, meu filho. Agora é a hora. Seu trabalho terminou,” você vai.
Como barganhar com um Deus assim? “Deus, eu… eu te dou 10%!” Ele é seu dono! Ele é dono da sua vida! Ele é dono do planeta inteiro! O que isso significa? “Senhor, vou me tornar missionário. Isso fará de mim uma pessoa melhor?” “Vou me tornar diácono na igreja.” Não, não. Há apenas uma maneira de ter um relacionamento com esse tipo de Deus. Se ele demonstrar graça soberana. Porque ele não deve nada a você. Você e eu somos rebeldes. E não temos nada para barganhar.

Fonte - voltemosaoevangelho.com.br 

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